A formação humana assemelha-se a uma grande obra que não tem um prazo determinado para finalizar. Sempre são bem-vindos novos conhecimentos e novas ideias. Cada contribuição é uma pedrinha lançada em busca de transformação. Algumas pedrinhas trazem inquietações, outras acabam quebrando o equilíbrio conquistado através do tempo,mas cada pedrinha tem o seu valor imensurável. Todas juntas formam aquilo que é entusiasmadamente novo e melhor.

Neste espaço, todos aqueles que acreditam na educação como base para a construção de um mundo melhor estão convidados a lançarem suas pedrinhas!

sábado, 1 de outubro de 2011

Pessimismo (?)

O bimestre está chegando ao fim e hoje, após dois meses convivendo com a realidade da escola, me sinto frustrada e desestimulada. Os fatores que permitem enxergar esta instituição com outros olhos são irrelevantes perto dos milhões de aspectos que tornam o processo ensino-aprendizagem cada vez mais ameaçado.

Alunos indisciplinados, falta de interesse, violência verbal e física, falta de condições materiais, problemas institucionais, questões burocráticas, déficit de aprendizagem, falta de participação... são milhões de fatores que se fazem presentes em meu caminho, tornando-o áspero e pedregoso.

Fico muito preocupada em relação à forma como a sociedade encara a escola. A começar pela família... os pais não reconhecem os problemas dos filhos, não entendem a necessidade de estarem presentes em sua formação. Para reprimir o aluno indisciplinado, ameace-o chamando o Conselho Tutelar... mas decepcione-se ao perceber que este órgão apenas contribui para que o aluno acostume-se cada vez mais com a banalidade dos problemas escolares. Para ensiná-los a ler e a escrever (considerando-se o alto índice de semi-analfabetismo), dê trabalhos e corrija-os apontando os erros e escrevendo recados mesmo sabendo que eles receberão, olharão a nota e jogarão no lixo o que você acabou de entregar. Para conter a violência verbal e física, aconselhe, dialogue, ameace se necessário, fale sobre as crianças que estão na rua, peça-os para que se coloquem em seu lugar...

Enfim, aprenda a ser pai, mãe, catequista, assistente social, enfermeiro, médico, psicólogo, nutricionista, advogado, delegado e amigo em apenas uma profissão: ser professor. Compreenda que a sociedade precisa de você, mas nunca reconhecerá o significado social que você possui. Reconheça que você é capaz, esforce-se, tente transformar a realidade, busque estratégias melhores de ensino, especialize-se, faça cursos, compre materiais alternativos, perca noites de sono, perca finais de semana corrigindo trabalhos e provas... mas entenda: você é um professor. Você é um mestre, é exemplo de vida, a sua profissão é linda.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A semana das impressões.

Bom, acho que após uma semana experimentando uma nova vida, já posso começar a relatar sobre as pequenas experiências que pude vivenciar neste período. Existem grandes desafios no meio escolar, e esses desafios se intensificam ainda mais quando se trata da Educação Física. Para completar a minha carga horária, caso quisesse atuar na minha área, precisei me dividir em três partes. Agora sou professora de três escolas. Cada escola com sua particularidade, com seus problemas e com pessoas diferentes compondo as decisões e o destino do processo de ensino-aprendizagem. 

Confesso que estou frustrada em alguns aspectos, mas não posso negar o fato de que fui muito bem recebida em todos os espaços. Além disso, existem muitos professores dispostos a contribuir com a educação de qualidade para seus alunos. O que me deixa frustrada é a representação histórica que se tem da Educação Física. Aqui em Itaberaí, o currículo destina apenas uma aula de Educação Física por semana no período regular. Assim, para completar as duas aulas necessárias, é preciso que tenhamos aulas fora do período escolar. O turno matutino tem aula às 6:10h e o vespertino tem aula depois das 17:30h. Esse fato fragiliza a seriedade dos conteúdos da Educação Física. Vejo que os colegas professores e a equipe gestora das escolas realmente encaram esta disciplina como um momento de recreação e descontração para os alunos, um momento de se desvencilhar das pressões cotidianas. No entanto, eu gostaria que esta percepção fosse superada... neste caso, tenho que concordar com o sábio Renato Russo... sou um grão de areia! 

Outro desafio muito grande que percebi logo de cara foi a indisciplina incontrolável de alguns alunos, não há limites, não há nada que os faça concentrar e direcionar a atenção ao que está sendo proposto nas aulas. Eu saí da sala de aula chocada, perplexa e horrorizada. Não sei o que fazer ainda... acho que respeito e boa convivência se conquistam com o tempo. Espero que o tempo consiga agir mais rápido do que a minha frustração. 

Enfim, dizem que a "primeira impressão" é a que fica. Espero que eu consiga imprimir novos olhares e colocá-los acima dos olhares que obtive até agora. Ainda tenho um longo caminho pela frente.