A formação humana assemelha-se a uma grande obra que não tem um prazo determinado para finalizar. Sempre são bem-vindos novos conhecimentos e novas ideias. Cada contribuição é uma pedrinha lançada em busca de transformação. Algumas pedrinhas trazem inquietações, outras acabam quebrando o equilíbrio conquistado através do tempo,mas cada pedrinha tem o seu valor imensurável. Todas juntas formam aquilo que é entusiasmadamente novo e melhor.

Neste espaço, todos aqueles que acreditam na educação como base para a construção de um mundo melhor estão convidados a lançarem suas pedrinhas!

sábado, 28 de abril de 2012

O que o tempo nos faz?

Há algumas semanas tenho pensado de forma mais enfática na velocidade do tempo. Tenho pensado também nos detalhes cotidianos que são deixados para trás em função da transitoriedade infinita de coisas, cores, informações, pessoas, responsabilidades, prioridades. E quando penso nesses detalhes, estou pensando na escola. Quando deito para dormir, vejo flashes de imagens que embaralham sorrisos, choros, semblantes, brigas, emoções, vozes, gestos... e a velocidade do pensamento sabe ser maior que a do próprio tempo. Não consigo, pois, eternizar o que vejo e o que sinto, tudo é rápido demais.

Percebo, então, que dentro de poucos meses completo um ano na escola. Tento formular um panorama capaz de me mostrar o que já aprendi e o que vivi, tudo que esperei e tudo que provei. E então, por acaso, justo hoje me deparo com um texto que fiz há 2 anos (texto aqui), quando eu ainda fazia estágio na escola. E é quando você se depara com seus próprios registros e percebe a diferença entre o ontem e o hoje, é quando você compreende sua transformação interna. Há dois anos, fiquei perplexa e extremamente sensibilizada com o fato de uma criança matriculada no 3º ano do Ensino Fundamental ainda ser analfabeta. Hoje, sinto-me entusiasmada quando constato que cinco ou seis alunos (de uma turma de trinta) demonstram domínio diante da leitura. Assusto-me, então... o que aconteceu comigo? 

Aconteceram várias coisas comigo: já me desestimulei, já me decepcionei, já me revoltei, já tentei, já busquei, já procurei, já relevei, já me frustrei, já me emocionei, já me entreguei, já desisti, já me satisfiz, já me empolguei... Nunca pensei que a Escola pudesse gerar uma explosão tão forte de sentimentos. Eu costumo defender e aplaudir muito aqueles que tentam até o fim, aqueles que continuam apesar das intempéries. Quis muito ser assim, quis muito resistir.  Mas o sistema é forte demais, eu estou triste. Sou apaixonada pelo verdadeiro sentido da educação, não há nada melhor do que poder ensinar, contribuir, valorizar a vida de outro ser humano por meio do conhecimento. Entretanto, sinto-me exausta. Repito: o sistema é forte demais... corrompe, ilude, desestimula, frustra. Eu quero muito voltar a acreditar na educação...