Percebo, então, que dentro de poucos meses completo um ano na escola. Tento formular um panorama capaz de me mostrar o que já aprendi e o que vivi, tudo que esperei e tudo que provei. E então, por acaso, justo hoje me deparo com um texto que fiz há 2 anos (texto aqui), quando eu ainda fazia estágio na escola. E é quando você se depara com seus próprios registros e percebe a diferença entre o ontem e o hoje, é quando você compreende sua transformação interna. Há dois anos, fiquei perplexa e extremamente sensibilizada com o fato de uma criança matriculada no 3º ano do Ensino Fundamental ainda ser analfabeta. Hoje, sinto-me entusiasmada quando constato que cinco ou seis alunos (de uma turma de trinta) demonstram domínio diante da leitura. Assusto-me, então... o que aconteceu comigo?
Aconteceram várias coisas comigo: já me desestimulei, já me decepcionei, já me revoltei, já tentei, já busquei, já procurei, já relevei, já me frustrei, já me emocionei, já me entreguei, já desisti, já me satisfiz, já me empolguei... Nunca pensei que a Escola pudesse gerar uma explosão tão forte de sentimentos. Eu costumo defender e aplaudir muito aqueles que tentam até o fim, aqueles que continuam apesar das intempéries. Quis muito ser assim, quis muito resistir. Mas o sistema é forte demais, eu estou triste. Sou apaixonada pelo verdadeiro sentido da educação, não há nada melhor do que poder ensinar, contribuir, valorizar a vida de outro ser humano por meio do conhecimento. Entretanto, sinto-me exausta. Repito: o sistema é forte demais... corrompe, ilude, desestimula, frustra. Eu quero muito voltar a acreditar na educação...
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