A formação humana assemelha-se a uma grande obra que não tem um prazo determinado para finalizar. Sempre são bem-vindos novos conhecimentos e novas ideias. Cada contribuição é uma pedrinha lançada em busca de transformação. Algumas pedrinhas trazem inquietações, outras acabam quebrando o equilíbrio conquistado através do tempo,mas cada pedrinha tem o seu valor imensurável. Todas juntas formam aquilo que é entusiasmadamente novo e melhor.

Neste espaço, todos aqueles que acreditam na educação como base para a construção de um mundo melhor estão convidados a lançarem suas pedrinhas!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Façamos por amor!

O novo é mesmo muito surpreendente. E quando paramos para refletir sobre os dias que se sucedem, sobre os acontecimentos que chegam atropelando a previsibilidade da vida, ou até mesmo sobre o que permaneceu igual dentro de nós mesmos, compreendemos que tudo, exatamente TUDO está  em constante transformação. Um ano e meio se passou, e hoje, após todo este tempo, penso, repenso e penso novamente sobre os possíveis impactos das minhas ações, especificamente as minhas ações pedagógicas. 

Eu gosto desse sentimento de novidade que o início do ano letivo traz. É o meu segundo início de ano e me sinto bastante entusiasmada para começar a fazer, praticar, ouvir, esperar, ensinar, aprender, constatar e a avaliar tudo o que tem acontecido e ainda acontecerá na escola. No entanto, paradoxalmente, percebo que um sabor amargo também tempera todo esse sentimento. Não sei, eu olho para as pessoas, olho para o trabalho concreto que acontece dia após dia, observo as conversas de corredores, observo o rosto atento de cada professor, analiso gestos e expressões, observo a aparência individual e coletiva daquele grupo e crio formulações e pensamentos que eu não gostaria de criar. 

A Semana Pedagógica para mim, tem sido, sobretudo, um ritual. Geralmente, rituais são seguidos pelas tradições, são respeitados e praticados inquestionavelmente. Mas, pensem comigo, planejamento não é ritual. Planejamento é estudo, é trabalho árduo, são as indagações e as inquietações presentes em cada um de nós. E mais: é a nossa vontade de querer mudar, transformar, revolucionar. E tudo isso não se faz em uma única semana. Sem dúvida, estes dias me trouxeram muitos acréscimos, me fizeram refletir bastante e trouxeram grandes inquietações. Mas isso é tão pouco, é tão irrelevante perto da imensidão do nosso papel social enquanto educadores... 

Eu sinto que os professores estão muito habituados a esses rituais. Eles simplesmente seguem as normas, fazem o que precisa ser feito, respondem aos requisitos básicos, assinam o nome na lista de presença, reclamam que o salgadinho e a coca-cola que foram servidos no lanche estão ruins, que seria melhor se servissem frutas, falam incessantemente sobre ética quando tudo o que mais lhes faltam é esta tal ética, questionam o tempo todo sobre carga horária, se prendem constantemente a reflexões clichês como “a auto-estima do professor”, “motivação”, “o bom relacionamento com a equipe escolar”,  “o perfil de um bom profissional”, quando na verdade, não é disso que estamos precisando.

Estamos precisando de AMOR por aquilo que fazemos para que nada se torne martirizante, para que o impacto do que fazemos se torne ainda maior e mais positivo. Estamos precisando estudar mais, buscar pela gama infinita de conhecimento científico, precisamos nos desprender desses rituais insignificantes. Precisamos refletir mais, pensar mais. E o pensamento precisa doer. Precisamos abandonar essa indiferença e esse individualismo tão fortes em nós. E penso que o primeiro passo é PERCEBER tudo isso. Aqui é o começo da transformação. Não fechemos nossos olhos, não aceitemos tudo como está. Vamos construir um modo diferente de enxergar o mundo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário