O novo é mesmo muito surpreendente. E
quando paramos para refletir sobre os dias que se sucedem, sobre os
acontecimentos que chegam atropelando a previsibilidade da vida, ou até mesmo
sobre o que permaneceu igual dentro de nós mesmos, compreendemos que tudo,
exatamente TUDO está em constante transformação. Um ano e meio se passou,
e hoje, após todo este tempo, penso, repenso e penso novamente sobre os
possíveis impactos das minhas ações, especificamente as minhas ações
pedagógicas.
Eu gosto desse
sentimento de novidade que o início do ano letivo traz. É o meu segundo início
de ano e me sinto bastante entusiasmada para começar a fazer, praticar, ouvir,
esperar, ensinar, aprender, constatar e a avaliar tudo o que tem acontecido e
ainda acontecerá na escola. No entanto, paradoxalmente, percebo que um sabor
amargo também tempera todo esse sentimento. Não sei, eu olho para as pessoas,
olho para o trabalho concreto que acontece dia após dia, observo as conversas
de corredores, observo o rosto atento de cada professor, analiso gestos e
expressões, observo a aparência individual e coletiva daquele grupo e crio
formulações e pensamentos que eu não gostaria de criar.
A Semana
Pedagógica para mim, tem sido, sobretudo, um ritual. Geralmente, rituais são
seguidos pelas tradições, são respeitados e praticados inquestionavelmente.
Mas, pensem comigo, planejamento não é ritual. Planejamento é estudo, é
trabalho árduo, são as indagações e as inquietações presentes em cada um de
nós. E mais: é a nossa vontade de querer mudar, transformar, revolucionar. E
tudo isso não se faz em uma única semana. Sem dúvida, estes dias me trouxeram
muitos acréscimos, me fizeram refletir bastante e trouxeram grandes
inquietações. Mas isso é tão pouco, é tão irrelevante perto da imensidão do
nosso papel social enquanto educadores...
Eu sinto que os
professores estão muito habituados a esses rituais. Eles simplesmente seguem as
normas, fazem o que precisa ser feito, respondem aos requisitos básicos,
assinam o nome na lista de presença, reclamam que o salgadinho e a coca-cola
que foram servidos no lanche estão ruins, que seria melhor se servissem frutas,
falam incessantemente sobre ética quando tudo o que mais lhes faltam é esta tal
ética, questionam o tempo todo sobre carga horária, se prendem constantemente a
reflexões clichês como “a auto-estima do professor”, “motivação”, “o bom
relacionamento com a equipe escolar”, “o
perfil de um bom profissional”, quando na verdade, não é disso que estamos
precisando.
Estamos precisando de AMOR por aquilo que
fazemos para que nada se torne martirizante, para que o impacto do que fazemos se torne
ainda maior e mais positivo. Estamos precisando estudar mais, buscar pela gama infinita de
conhecimento científico, precisamos nos desprender desses rituais
insignificantes. Precisamos refletir mais, pensar mais. E o pensamento precisa
doer. Precisamos abandonar essa indiferença e esse individualismo tão
fortes em nós. E penso que o primeiro passo é PERCEBER tudo isso. Aqui é o
começo da transformação. Não fechemos nossos olhos, não aceitemos tudo como
está. Vamos construir um modo diferente de enxergar o mundo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário